Castelo de Torres Vedras 2003 (1)

Selo de chumbo com a esfera armilar
(Fotografia de Guilherme Cardoso)

Divulga-se, aqui, o resultado da intervenção arqueológica realizada em 2003 no Castelo de Torres Vedras.

O Castelo de Torres Vedras, classificado como Imóvel de Interesse Público, é uma construção medieval, constituída por uma cerca e uma barbacã, dentro da qual se abrigam o palácio dos alcaides e a igreja de Santa Maria – onde se podem admirar os únicos vestígios arquitectónicos românicos, existentes no concelho. A sua mais antiga ocupação comprovada data do século II a. C., época à qual parecem pertencer as duas cisternas geminadas, localizadas na zona norte, onde foi recolhida uma lápide funerária romana. A fortificação já existia durante a ocupação árabe, tendo sido tomada por D. Afonso Henriques, em 1148. No final de 1384, o mestre de Avis pôs um cerco inglório ao castelo, que provocou grandes danos nas muralhas. No reinado de D. Manuel I (1516) deu-se uma das suas maiores reconstruções, da qual resta ainda a barbacã da entrada, com a sua porta ogival encimada pelas esferas armilares, divisa daquele monarca. Na mesma altura foi construído o palácio dos alcaides, que ficou gravemente destruído com o terramoto de 1755. Em 1809 o castelo foi integrado nas Linhas de Torres Vedras e o seu último cerco deu-se em 1846, com a batalha de Torres Vedras, durante a qual o paiol explodiu, destruindo profundamente a estrutura. Apesar do seu estado de ruína, continuou a funcionar como aquartelamento até finais do século XIX.

A campanha arqueológica levada a cabo em 2003 teve por objectivo a requalificação paisagística do imóvel, através do reordenamento da área sujeita a intervenção arqueológica em 1988 e o rebaixamento do terreno, para uma melhor visualização do palácio dos alcaides e da fundação da antiga barbacã do palácio – então, parcialmente enterrada –, valorizando estas estruturas no conjunto fortificado.

De entre os resultados destacam-se o desentulhamento da base da barbacã do palácio e a detecção do piso quinhentista que lhe era exterior e contemporâneo daquele. Sobre este piso foi encontrada e escavada uma lixeira resultante da ocupação do palácio (1516 a 1640), de onde foram recolhidos inúmeros materiais. Sobre a lixeira, identificaram-se ainda entulhos e derrubes, que deverão estar associados ao terramoto de 1755 e à posterior explosão do paiol do castelo, em 1846.

LUNA, Isabel de e AMARO, Clementino – Castelo de Torres Vedras: resultados dos trabalhos arqueológicos, 2003. Torres Vedras: [policopiado], 2009.

Castelo de Torres Vedras (11,48 MB)

© Isabel de Luna e Clementino Amaro / 2009

Mais informações sobre Castelos e Fortalezas de Portugal, aqui.

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