Tesouro do Bonabal

Em 1964, Leonel Trindade e Octávio da Veiga Ferreira publicaram, no volume 74 da Revista de Guimarães – uma das mais afamadas publicações nacionais de Arqueologia –, o artigo intitulado Tesouro pré-histórico de Bonabal (Torres Vedras), onde deram a conhecer, à comunidade científica, duas peças de ouro datadas da Idade do Bronze, encontradas no Bonabal. É este texto que fixa, para a posteridade, o relato da descoberta deste tesouro, constituído por uma cadeia de elos helicoidais e um bracelete[1].

Eis o que, na altura, escreveram os dois arqueólogos, sobre a descoberta:

“Nos princípios do mês de Junho de 1964, um dos signatários da presente nota (Leonel Trindade) foi informado pelo ourives de Torres Vedras, Sr. Emílio Luís Santana, de que lhe tinha chegado às mãos uma cadeia de ouro formada de oito hélices cilíndricas.
Uma vez em contacto com aquele senhor soube-se que a jóia tinha sido encontrada por Constantino Rafael Gomes, quando procedia ao trabalho de amontoar terra às batateiras na propriedade chamada Pena Seca, freguesia de S. Mamede, concelho de Torres Vedras. A citada propriedade fica à beira da estrada que, da povoação do Bonabal, se dirige ao Casal do Vale.
Em meados desse mês de Junho chegou às mãos do ourives Sr. Hélder dos Santos Torres um bracelete de ouro proveniente do mesmo local, Pena Seca, e que fora encontrado numa propriedade que confina com aquela onde haviam sido descobertas as hélices de ouro.1
O achador do bracelete diz que apareceram mais peças, porque uma sua filha encontrara um objecto mais pequeno, também de metal amarelo, que deixou no terreno, em virtude de julgar não ter qualquer valor.
Como se depreende, todos estes achados pertenceriam a um tesouro enterrado, que os trabalhos agrícolas devem ter dispersado revolvendo a terra, e agora apareceram à superfície numa área muito mais extensa.”
“[1] Cumpre-nos, com muito gosto, pôr em relevo o espírito de isenção e de altruísmo dos ourives Snr.s Emílio Luís Santana e Hélder Santos Torres. Muito ao contrário da maioria dos seus colegas, estes, sensatamente, deram a conhecer estas jóias pré-históricas e salvaram assim duas antiguidades nacionais de grande merecimento.”

Passados que são 40 anos desta publicação, um dos intervenientes referiu-nos estar o relato incompleto, o que não é de estranhar, uma vez que Leonel Trindade – na altura, sub-director do Museu Municipal de Torres Vedras – não esteve directamente ligado à descoberta, tendo apenas tomado conhecimento da mesma pelos dois ourives da cidade. Assim, com base no testemunho que nos foi agora transmitido, iremos, na medida do possível, tentar reconstituir os acontecimentos, tal como eles terão ocorrido.

As peças que constituem o tesouro do Bonabal foram encontradas na propriedade denominada Pena Seca, no sítio dos Valinhos, a Sudeste da estrada Municipal 555-1 – que liga o Bonabal à Bordinheira –, com a qual confina. A propriedade, com cerca de 13.000 m2, pertencia a Inês da Conceição Santos, mas estava a ser explorada por dois irmãos seus: Luís Gonzaga Gomes dos Santos cultivava a zona nascente da propriedade e Francisco Gomes dos Santos a zona poente.

Segundo o nosso interlocutor, a descoberta terá ocorrido em 1962, pois os jovens envolvidos teriam 17 anos à data dos acontecimentos (o que teria sucedido em 1962). Mas, a aceitar esta data, torna-se difícil explicar o espaço de tempo que mediou entre a descoberta das peças e a sua chegada aos ourives torrienses, o que, inclusivamente, entra em contradição com outros aspectos do relato que nos foi feito[2].

A cadeia de elos helicoidais, que devia fazer parte de um colar, foi encontrada numa manhã do final do mês de Fevereiro, por Constantino Rafael Gomes, na altura com 17 anos, que trabalhava para Luís Gonzaga Gomes dos Santos, na metade nascente da propriedade. Quando Constantino preparava o terreno com a fresa, para semear batatas, viu um objecto dourado no terreno, que lhe pareceu uma corrente, mas que logo se apercebeu ser de ouro. Parou a máquina, apanhou-o e guardou-o no bolso. À hora do almoço entregou-o ao Sr. Luís Santos, que lho devolveu novamente, pois, não sendo um objecto seu e, por isso, não o tendo perdido, achou que o mesmo deveria ficar na posse do descobridor. Para Constantino, um humilde lavrador, a peça que zelosamente guardou constituía um verdadeiro tesouro[3].

Alguns dias depois, numa manhã do início de Março, Luís Alberto Santos, filho de Francisco Gomes dos Santos, também de 17 anos, encontrou uma “argola” de metal amarelo, quando fresava o terreno, para futuras sementeiras, na metade poente da propriedade. A peça chamou-lhe a atenção e guardou-a, apesar de não se ter apercebido que era de ouro, pois estava muito suja de terra. Desconhecendo o seu valor, levou o bracelete para casa, mostrou-o à sua irmã de 13 anos, Maria Zélia Gomes dos Santos e, depois do almoço, os dois jovens voltaram à propriedade, para verem se encontravam mais algum objecto. A Zélia encontrou ainda um pequeníssimo fragmento de metal amarelo, sem forma definida, que acabou por deixar no terreno, por considerar não ter qualquer interesse. Durante algum tempo, o bracelete ficou em casa de Luís Alberto, quase esquecido, tendo mesmo servido de brinquedo para os seus dois irmãos mais novos.

Não terá passado muito tempo até que a descoberta de Constantino começasse a ser falada na aldeia onde vivia – Lugar da Pedra –, onde também morava Leonel, um empregado da ourivesaria Santana, de Torres Vedras[4]. Este terá ido falar com Constantino, atemorizando-o, por ter na sua posse um objecto que não era seu e que deveria entregar às autoridades, ou ao Museu Municipal. Mas o jovem, no entanto, achava-se no direito de ficar com a peça que tinha encontrado. Cerca de três dias depois, Constantino voltou a ser visitado, agora por três homens que não se identificaram, que terão insistido para que ele lhes entregasse a peça, intimidando-o com a possibilidade de poder vir a ser procurado pelas autoridades. Depois de fotografarem Constantino com a cadeia de hélices na mão, os homens acabaram por conseguir ficar com o objecto, em troca de algum dinheiro. No seu relato, Leonel Trindade não diz como é que a peça terá chegado à posse do ourives Emílio Santana, nem como é que, posteriormente, ela foi parar ao Museu Municipal, sendo de supor que a autarquia a tenha adquirido ao ourives[5].

Quando a descoberta do “colar” começou a ser falada na aldeia, Luís Alberto Santos e o pai associaram o facto ao achado que o primeiro tinha feito. Puseram a “argola” de metal dentro de uma saca de enxofre, durante uma noite, e só no dia seguinte, porque a peça se manteve com o mesmo brilho, perceberam tratar-se de um objecto de ouro.

O Sr. Francisco dos Santos decidiu-se, assim, a levar o bracelete a Hélder dos Santos Torres, que o limpou e pesou, dizendo-lhe tratar-se de ouro, “e do puro”. O ourives, que já tinha conhecimento da descoberta da cadeia de hélices, sugeriu que Francisco dos Santos mostrasse a peça a Leonel Trindade. Este, chamado à ourivesaria, apareceu poucos minutos depois. O sub-director do Museu explicou, então, que aquela “argola” era um bracelete da Idade do Bronze, que no museu se encontrava já um outro objecto proveniente do mesmo local (a cadeia de elos helicoidais) e que as duas peças deveriam ter feito parte de um tesouro[6]. Perante aquela descrição e a sugestão do arqueólogo, Francisco dos Santos acabaria por considerar que o melhor destino para o bracelete seria o Museu Municipal, de forma a se manter a integridade do tesouro. Hélder Torres terá adquirido o bracelete a Francisco dos Santos (facto que não conseguimos confirmar) vendendo-o, de seguida, ao Dr. Augusto Lopes da Cunha (então director do Museu), pela quantia de 2.868$00. Esta compra deverá ter constituído um adiantamento do director, por eventual indisponibilidade financeira da autarquia, de forma a salvaguardar a posse da peça[7]. Isto porque, logo no dia 25 de Junho de 1964, o Dr. Lopes da Cunha viria a depositar o bracelete no Museu, a título de empréstimo, referindo o título de depósito n.º 36 que o bracelete “passará para a propriedade deste Museu, quando a Câmara Municipal o pagar ao proprietário deste título de posse” – o que viria a ocorrer a 30 de Abril do ano seguinte.

Alguns meses depois da sua conversa com Francisco dos Santos, Leonel Trindade deslocou-se ao Bonabal, na companhia de outros dois ou três senhores – que não conseguimos identificar –, onde aquele agricultor lhe mostrou o local da descoberta das peças. Apesar de ter percorrido uma vasta área do terreno com um detector de metais, Leonel Trindade mais não encontrou do que o relógio que um dos seus companheiros, por brincadeira, havia enterrado.

Refira-se, ainda, que há notícia de que, algumas décadas antes desta descoberta, num terreno ao Norte do mencionado, e dele apenas separado pela estrada 555-1, havia já aparecido uma pequena peça de ouro, cuja tipologia desconhecemos. Apesar de ter sido guardada pelo proprietário, dificilmente será possível, hoje, encontrar-lhe o rasto.

Bibliografia:

CAMILO, João – «S. Mamede da Ventosa: freguesia desde o século XVIII», jornal Badaladas, n.º 2303, suplemento Freguesias, 15. Torres Vedras: Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro e S. Tiago, 25.02.2000, p. 1.

SANTOS, Francisco Gomes dos – «Tesouro pré-histórico do Bonabal: esclarecimento», jornal Badaladas, n.º 2514. Torres Vedras: Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro e S. Tiago, 12.03.2004, p. 2.

TRINDADE, Leonel e FERREIRA, Octávio da Veiga – «Tesouro pré-histórico de Bonabal (Torres Vedras)». Revista de Guimarães, 74 (3-4). Guimarães: Sociedade Martins Sarmento, 1964, p. 271-280.

© Isabel de Luna / 2004.  Publicado originalmente como:

LUNA, Isabel de – «Tesouro pré-histórico do Bonabal», jornal Badaladas, n.º 2522. Torres Vedras: Fábrica da Igreja Paroquial de S. Pedro e S. Tiago, 07.05.2004, p. 32.


[1] O presente texto foi escrito e publicado em 2004, a pedido de Francisco Gomes dos Santos, um dos intervenientes no achado, que nos procurou pouco antes, manifestando a vontade de ver a sua versão da história contada nas páginas do jornal local Badaladas. Pouco antes, fizera publicar, no mesmo jornal, o seguinte texto:

“Faz este mês 42 anos que foram encontrados dois objectos em ouro numa propriedade da Pena Seca, na freguesia de S. Mamede da Ventosa, os quais teriam feito parte dum tesouro enterrado algures nos terrenos da Pena Seca, e que se encontram no Museu de Torres Vedras.

Num suplemento do jornal Badaladas, n.º 2303, do dia 25 de Fevereiro de 2000, vem inscrito um relato sobre este acontecimento cuja descrição, na maior parte, não corresponde à verdade dos factos. Porque a quem achou os ditos objectos nunca lhes foi pedida qualquer informação acerca do local, quando e como os encontraram. Só eles é que podem dizer a verdade, porque felizmente ainda se encontram no meio dos vivos”.

Francisco dos Santos referia-se a um extracto, praticamente textual, do artigo que Leonel Trindade e Octávio da Veiga Ferreira haviam publicado em 1964, na Revista de Guimarães, inserido num suplemento do jornal Badaladas, dedicado à freguesia de S. Mamede da Ventosa (CAMILO, 2000),

Quarenta anos depois, Francisco Gomes dos Santos mantinha uma profunda mágoa pela forma persecutória como os dois jovens achadores haviam sido tratados, durante o processo de recolha das peças, que acabariam por dar entrada no museu municipal. Essa circunstância – de cuja veracidade nada nos leva a duvidar – terá, todavia, causado uma ligeira distorção da sua visão pessoal sobre os factos ocorridos, não obstante, na generalidade, o seu depoimento os confirmar e detalhar. Também a memória o viria a atraiçoar na atribuição da data do achado, algo de que, logo na altura, nos havíamos apercebido.

Tendo sido localizada, posteriormente à publicação, alguma documentação sobre o assunto, no arquivo do Museu Municipal Leonel Trindade, decidiu-se agora actualizar e complementar o texto, através da inserção de algumas notas documentais.

[2] Toda a documentação existente no Museu Municipal Leonel Trindade é inequivocamente datada de 1964 e, num apontamento redigido por Leonel Trindade, é mesmo mencionado o facto de Constantino Rafael Gomes ter, então, 19 anos de idade.

[3] Um apontamento de Leonel Trindade, numa folha de papel, refere:

“Nome: Constantino Rafael Gomes. Idade: 19 anos. Naturalidade: Casal Carreiras – Pedra, Freguesia de S. Mamede. Filho de: Francisco Rafael Gomes; e de: Maria de Jesus.  Achou no dia 5 de Maio de 1964, quando procedia ao trabalho de “amontuar” batata, na propriedade designada por Pena Seca, na Freguesia de S. Mamede, pertencente a Luiz Gonzaga dos Santos, morador no Bonabal, da mesma freguesia, oito hélices de metal com liga de ouro, com o peso de 190,9 gramas [segue-se, densamente rasurada, uma frase que supõe o achado de outros objectos: “tendo o dono da propriedade ficado com os seguintes objectos:”]. Presenciaram estes factos: [assinatura] Luiz Gonzaga dos Santos”.

Noutro apontamento, Leonel Trindade refere igualmente:

“Em 5 de Maio de 1964, quando Constantino Rafael Gomes, môço de lavoura, procedia ao trabalho de “amontuar” batata na propriedade denominada Pena Seca, situada entre o lugar do Bonabal e o Casal do Vale [e à esquerda quando se segue para Bonabal”, como se lê noutra anotação], achou uma cadeia formada por 8 hélices de fio de ouro, com o peso de 190,9gr., que deve ser da época do Bronze e ter cêrca de 4000 anos de idade”.

[4] Trata-se de Leonel Caetano que, mais tarde, viria a ser proprietário da ourivesaria.

[5] Diversas anotações informais de Leonel Trindade demonstram o trabalho que teve em medir e pesar pormenorizadamente a peça, para poder estabelecer o seu valor. Numa tabela, estabeleceu o número de espirais de cada elo e o respectivo diâmetro:

Tabela

Noutro apontamento, escreveu: “8 hélices, devendo pesar cêrca de 23,8gr cada. Diâmetro do fio 1 a 2mm, pontas das hélices em bico. Final do Bronze I. Peso total: 190,9gr”.

No museu encontra-se um recibo de Constantino Rafael Gomes, dactilografado e selado (com selos fiscais de  4$50), no valor de 4.300$00, quantia que lhe foi entregue por Leonel Trindade:

“Recebi de Leonel de Freitas Sampaio Trindade, Director-Adjunto do Museu Municipal de Torres Vedras, a quantia de Escs. 4.300$00 (quatro mil e tresentos escudos), pela venda de oito hélices de fio de ouro, com o pêso de 190,9 (cento e noventa gramas e nove décimos), e que se destinam àquele Museu. Torres Vedras, 31 de Maio de 1964. A rogo de Constantino Rafael Gomes [assinatura] Anselmo da Silva Luz, 31/5/64. Testemunhas: José Luís Rodrigues da Silveira Almendro [amigo pessoal de Leonel Trindade], Leonel Caetano. Conta: 190,9 X 22$40 = 4.276$16; Arred. + 23$84; 4.300$00”.

O preço da peça foi estabelecido pela multiplicação do seu peso (190,9g), pelo valor a que se encontrava, então, a grama do ouro fino (22$40). Nas costas do recibo, Leonel Trindade escreveu: “Esta quantia foi desembolçada pelo Director do museu, ficando o objecto na posse do mesmo director. [assinatura] Leonel Trindade, 1/6/64”.

A peça foi, pois, adquirida pelo director do museu, que adiantou a verba necessária, até a Câmara Municipal lhe poder disponibilizar essa quantia. A crer pelo recibo, a peça terá sido adquirida directamente ao achador e não ao ourives Emílio Santana, embora a presença de uma terceira pessoa, que assina por Constantino, não garanta que este tenha recebido exactamente a mesma quantia, como parece sugerir o relato de Francisco dos Santos.

[6] Segundo diversas anotações de Leonel Trindade: “Bracelete – achado a cerca de 100m das hélices mas a maior altitude, por Francisco Gomes dos Santos. Ourives Hélder dos Santos Torres”. “Francisco Gomes dos Santos, Bonabal – Casal Nalinhos, princípios de Maio, Pena Seca”. As medições efectuadas para cálculo do valor da peça, são também especificadas: “Diâmetro mínimo: 6mm; diâmetro das pontas: 7,3mm e 7,1mm; peso exacto: 127,9grs”.

[7] Uma minuta dactilografada de um recibo, não assinado mas atribuído a Leonel Trindade, refere: “Foi-me entregue pelo Sr. Dr. Augusto Maria Lopes da Cunha, a quantia de Escs. 2.868$00 para a compra de um bracelete de ouro, com o pêso de 128grs. e que foi encontrado no Bonabal, peça esta que foi adquirida pelo Exm.º Senhor Helder dos Santos Torres que a cedeu pelo mesmo preço para o Museu Municipal. Torres Vedras, 25 de Junho de 1964”.

Donde se depreende que a peça terá sido primeiro adquirida por Hélder dos Santos Torres a Francisco dos Santos, pela quantia de 2.868$00 – relativa à multiplicação do seu peso pelo valor da grama do ouro fino (22$40) – e posteriormente vendida ao Dr. Augusto Lopes da Cunha, que uma vez mais se disponibilizou, perante a autarquia, a adiantar a verba necessária, de modo a garantir a salvaguarda imediata deste espólio.

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