Auto de posse do castelo de Torres Vedras (1)

Nota: A transcrição que aqui se apresenta foi adaptada ao Acordo Ortográfico de 1945 e acrescida de pontuação, de modo a facilitar a leitura e interpretação do documento. Se pretender consultar a transcrição com a grafia original, clique aqui.

Auto de posse




Registo do auto da

posse que se deu a Dom João

Soares de Alarcão, alcaide-

-mor da vila de Torres Vedras,

do castelo da dita vila










Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil seiscentos e quatro anos, aos vinte e três dias do mês de Abril, na vila de Torres Vedras e castelo dela, onde eu tabelião fui, estando aí presentes Dom João Soares de Alarcão, Alcaide-Mor da dita vila, e Francisco do Rego, Vereador mais velho que nela serve de Juiz, pela ordenação para se tomar residência, ao licenciado Filipe Buitrago Henriques, que foi Juiz de Fora, e António Madeira da Cunha, outrossim vereador, e Sebastião de Almeida de Seixas, Procurador do Concelho, e Francisco Coelho Moreira, escrivão da Câmara na dita vila, e Tomás de Abreu, Pisteiro da Câmara de Sua Majestade.

Pelo dito Tomás de Abreu foi mostrada uma provisão de Sua Majestade, que lhe ficou em poder, a qual eu tive, por que lhe mandava dar posse do dito castelo ao dito Dom João Soares, conforme a carta que tem do dito Senhor, que logo assim mostrou, por bem do que logo o dito Tomás de Abreu, comigo tabelião, viu o dito castelo e casas dele, o qual tem dois baluartes, um para a parte do Norte e outro para a banda do Sul, e muitas casas muito bem consertadas e reparadas e muito boas, e três cisternas de água. E o muro do dito castelo estava em muitas partes quebrado e caído e a barbacã dele toda desmanchada. E no dito castelo não havia armas algumas nem apetrechos de guerra a ele pertencentes, o qual dou fé estar no dito estado.

E logo todos foram às portas do dito castelo, as quais o dito Dom João Soares abriu e fechou, por dentro e por fora, e o dito Tomás de Abreu tomou as chaves delas e as fechou e desfechou e entregou as ditas chaves ao dito Dom João Soares, dizendo que da parte de Sua Majestade lhe entregava as chaves do dito castelo e lhe dava a posse dele, o qual guardaria e defenderia e o não entregaria a pessoa alguma senão a Sua Majestade ou a seu recado, o que o dito Dom João aceitou e prometeu assim cumprir.

E logo fomos à cadeia da dita vila, na qual entraram o dito Dom João e Tomás de Abreu, que viu os ferros e prisões dela, na qual havia duas correntes e quatro grilhões. E logo Pedro Henriques, que serve de Alcaide-Pequeno e Carcereiro, deu as chaves da dita cadeia com que o dito Dom João abriu as portas dela e as tornou a fechar e o dito Tomás de Abreu lhas entregou e [bem] assim a vara de Alcaide-Pequeno desta vila, o que tudo o dito Dom João da sua mão tornou a dar e entregar ao dito Pedro Henriques e pelos ditos autos disse o dito Tomás de Abreu que em nome de Sua Majestade havia ao dito Dom João Soares prometido e investido na posse do dito castelo e cadeia desta vila, que ele aceitou, o qual tomou mansa e pacificamente, sem contradição de pessoa alguma.

De que [de] tudo se fez este auto, que o dito Dom João Soares assinou com o dito Tomás de Abreu, Francisco do Rego, António Madeira e Sebastião de Almeida, Francisco Coelho e Pedro Henriques e testemunhas que a tudo foram presentes.

Antão Barreiros, Manuel da Fonseca de Carvalho e José Mendes de Araújo. E eu, António do Rio, tabelião do judicial na dita vila, pelo dito Senhor, que o escrevi e assinei de meu sinal público, que tal é.

Dom João Soares, Francisco do Rego

António Madeira da Cunha, Sebastião de Almeida de Seixas

Tomás de Abreu

Antão Barreiros

Manuel da Fonseca de Carvalho

Pedro Henriques

José Mendes de Araújo


Francisco Coelho Moreira o subscrevi e assinei

Francisco Coelho Moreira


Registo do auto da posse que se deu a D. João Soares de Alarcão, alcaide-mor da vila de Torres Vedras, do castelo da dita vila, 23 de Abril de 1604, in Arquivo Municipal de Torres Vedras, Livro de registo de privilégios, provisões e alvarás, 1602-1607, fl. 138-139vº.
Leitura e transcrição de Isabel de Luna / 2013.
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